Eu sei que não se deve julgar um livro pela capa…

… mas serei o único que se sente desconfortável com a capa do “Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas”?

Antes de mais nada, quero deixar bem claro que tenho todo o respeito pelos ilustradores e todos os envolvidos na selecção e composição do layout. É um trabalho duro, que requer uma combinação de conhecimentos de design, bom gosto, sensibilidade para composições e a capacidade de imprimir algum sentido de marketing. É um mundo sobre o qual eu conheço apenas sombras. Por isso, por favor, não entendam isto como uma farpa a pessoal trabalhador e dedicado. Não, pode não ser o mais construtivo dos comentários, mas é apenas um desabafo sobre os sítios “errados” onde esta capa me toca.

O layout é simples, o que me agrada. Tendo a ser muito  estóico nos meus gostos. O problema é que o layout é um bocado saturado de texto. Contudo, essa é uma tendência que se mantém nas edições estrangeiras. No entanto, do ponto de vista de Marketing, não seria mais interessannte colocar enfâse sobre outros grandes nomes da literatura presentes? Ao meu olho destreinado, a omissão de Moorcock é quase criminosa. Talvez duas colunas com os autores internacionais? Fazia uma ponte com outras obras publicadas pela Saída de Emergência, um enlace “bonito” – e em termos de mercado, sugestivo. De novo, isto é a opinião de um leigo em Marketing. Espero que ninguém tome a mal e que meçam as minhas palavras com um saleiro inteiro.

Outro problema que vejo com a capa tem a ver com outras publicações da Saída de Emergência e a selecção da ilustração.  A meu ver, esta é uma publicação mais destinada a quem já está imerso até aos joelhos no fantástico e/ou na ficção científica. No panorama nacional actual, é impossível acompanhar bem esses dois grupos literários sem estar a par de outras publicações da Saída de Emergência. Ora, eu imagino que um leitor que está a par das antologias Lovecraftianas da Saida de Emergência, sem ter qualquer outra informação sobre o Almanaque, possa ter uma ideia errada sobre o conteúdo do livro. Ao olhar para a ilustração e conhecendo a “tara” Lovecraftiana da editora, a primeira noção pode ser de nova antologia Lovecraftiana ou algo na mesma estirpo, como doenças de Innsmouth. CLARO, livros não se julgam por capas, mas primeiras impressões podem fazer ou matar uma relação.

*Suspiro*

Podem parecer picuinhices, eu sei. São pontos que me desagradam e dúvido que tenham grande valor  construtivo. Todos os envolvidos fizeram um bom trabalho, mas numa direcção que eu não esperava. Com base nas capas internacionais e na antologia Pulp da mesma editora, estava a espera de algo que evocasse o espírito do séc. XX, que cheirasse a Pulp, cheio de optimismo e descoberta, com promessa de explorar uma época que nunca foi. Ou que desse uma promessa médica, de falsa seriedade e carregada de ironia. Ou que o toque Português contaminasse a capa.  Acho que aqui o problema meu: criei estas visões e possíveis direcções criativas. Estava a espera delas, tanto pelo conteúdo como pelas outras capas internacionais.

E, de novo, com todo o respeito aos envolvidos: acho que nenhum desses pontos é transmitido por uma serpente de fraque.

É só que gosto mais de qualquer uma destas.

Gostos. Desculpem lá. O que se diz sobre gregos e troianos?

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