Eu normalmente não ligo muito a Festivais da Canção, o que é um eufemismo. Eu não ligo nada a Festivais da Canção. Infelizmente, ontem era a única coisa minimamente aceitável a passar na televisão nacional – o que já por si diz muito do estado actual da televisão nacional. Estou a olhar para si, SIC. Não mudem de director de programas, não.
Mas – como sempre – divago.
Ora, este Festival da Canção… Entre várias coisas conteve… Pura Gasolina para Pesadelos (de elevadas octanas…) com a Nucha.
As sempre alegadamente virgens Tayti levam uma música… em Italiano. Se passasse sempre ia dar uns votos à Itália por enganado… É sempre bom ser solidário.
E claro, a imitação de Barack Obama feita pelas mamas da Luciana Abreu.
Mas fora isso, o que mais me estranhou foi uma certo fenónemo. Para protecção dos inocentes, vamos chamar esse fenónemo “Flor-De-Lis”. Não vou descurar a canção ou o talento do grupo – até porque eu tive o tempo todo distraído por aquilo que a vocalista trazia na cabeça da primeira vez que a música passou – mas isto não é para escolher a melhor canção, mas a mais adequada para ganhar a Eurovisão. Raios, nem sequer é preciso saber cantar, e quem ainda tinha dúvidas disso, a Romana acabou por as tirar.
No entanto, os “Flor-De-Lis” ganharam, não porque o público português assim o quis, não… mas sim por um comité de especialistas. Mais “especialistas”, mais “personalidades”, mais não sei o que lhe querem chamar – mas o único ligado à música era o André Sardet. Isto em dezenas desses “especialistas”.
Ora, tão entendidos era que não concordavam em NADA. Não havia concordância nenhuma nas votações… excepto claro, nos 12 pontos para o “Flor-De-Lis”. Em quase todas as capitais de distrito. 12 pontos. E o pior… quando os “Flor-De-Lis” na Guarda receberam 10 pontos ao invés de 12 chegaram a VAIAR. “Não estão a ganhar por uma vantagem de 52 pontos, só 50! Vamos vaiar!”. Tornou-se extremamente ridículo, principalmente as tentativas crescentemente tristes as tentativas da Sílvia Alberto para fazer “suspense”… quando já toda a gente sabia onde iam todos os 12 pontos.
Mas pronto. Eles tinham boa música, eram um grupo sólido, com boa música e boa interpretação. Mas como o único verdadeiro especialista musical – André Sardet – foi o único a apontar os critérios, para ganhar a Eurovisão tem que ser algo “folclorico”, “festivaleiro”, com mais presença de palco e energia e um som que fique no ouvido e que seja preciso um martelo pneumático para tirar de lá. Ora, os três candidatos que para bem e para mal representavam isso - Nucha, Luciana Abreu e Nuno e Fábia – foram escorraçados pelos ditos especialistas.
Depois entrou a votação nacional do público… que com uma esmagadora vantagem deram a vitória à Floribella. Mas devido ao sistema muito mal aplicado de selecção, foi escolhido os “Flor-De-Lis”.
Sim. É esse o ponto.
Ontem FOI escolhido o representante que os portugueses NÃO QUERIAM.
E o representante que a bem ou a mal os portugueses QUERIAM não foi ESCOLHIDO.
Mais ainda: devido ao sistema de valores que escolheram, a Luciana ficou em sétimo. Ou seja, mesmo que não fossem os “Flor-De-Lis” a ganhar, IRIAM SEIS REPRESENTANTES QUE OS PORTUGUESES NÃO ESCOLHERAM antes daquele que os portugueses escolheram.
O cúmulo que me fez ficar muito preocupado com a seriedade da RTP foi os troféus. Em todos os candidatos a representantes, só havia um grupo – sim, os “Flor-De-Lis”. No entanto, apareceram TRÊS TROFÉUS. Ora, um troféu não se faz ali ou na hora. E não é algo que se faça em série. Mas estavam ali TRÊS TROFÉUS prontinhos, já antes de se saber o vencedor.
Ou seja, se ganhasse a Luciana Abreu, era o quê? Um troféu para ela e dois para as mamárias?

Não valem dois troféus na minha opinião...